91% das empresas brasileiras já usam IA nas finanças. E não sentem o resultado.
Estudo da KPMG mostra adoção quase universal em atividades financeiras. Outro levantamento, no mesmo dia, explica por quê: as empresas reconhecem o potencial e não investem de forma correspondente.
Por Redação Panonda

Foto: Yan Krukau · Pexels
Dois levantamentos publicados no mesmo dia parecem se contradizer. Juntos, eles contam a coisa mais útil que saiu esta semana sobre IA no Brasil.
O número de cima
O estudo Global AI in Finance 2026, da KPMG, aponta que 91% das empresas brasileiras entrevistadas já usam inteligência artificial em atividades financeiras. E 67% afirmam que a tecnologia melhorou a qualidade das decisões.
Adoção de 91% não é tendência. É padrão consolidado.
O número de baixo
No mesmo dia, um estudo de maturidade digital de empresas gaúchas, do Brivia Group, colocou o pilar de IA na chamada "zona de sensibilização" — o meio de uma escala de cinco níveis, com dois abaixo (crítico e muito crítico) e dois acima (otimização e excelência).
A descrição do que é essa zona é o dado que importa:
As empresas reconhecem o potencial da IA, mas não fazem investimentos correspondentes nem possuem processos estruturados.
E o remate: por ser tecnologia nova e em fase de teste, as empresas não têm percepção de impacto financeiro positivo no negócio.
Por que os dois podem estar certos
Não há contradição. Usar não é adotar.
Uma empresa em que cada pessoa abre o ChatGPT por conta própria aparece nos 91%. Ela tem IA na rotina financeira — e não tem processo, não tem governança, não tem ninguém medindo, e por isso não consegue apontar um real de ganho.
O número alto mede presença. O estudo de maturidade mede organização. E o segundo é o que vira dinheiro.
O que isso significa para você
Se você trabalha em empresa: o diferencial deixou de ser saber usar IA — 91% já usa. Passou a ser conseguir mostrar o ganho. Quem chega com "economizei seis horas por semana nesta rotina, aqui está a medição" está num grupo bem menor que 9%.
Se você tem empresa: a pergunta não é mais "vamos adotar IA?". É "onde ela já está rodando sem ninguém saber?". Esse mapeamento é o mesmo que a ANPD começou a exigir das plataformas nesta semana — e é o primeiro passo de qualquer conformidade com o Marco Legal, quando ele sair.
Três coisas para fazer segunda-feira
- Liste onde a IA já roda. Toda ferramenta que alguém usa, inclusive as que ninguém autorizou. Se não cabe em uma página, esse já é o problema.
- Escolha uma rotina e meça. Tempo antes, tempo depois. Sem número, "a IA ajudou" é opinião — e opinião não sustenta orçamento.
- Escreva o que pode e o que não pode entrar na ferramenta. Dado de cliente, contrato e documento pessoal exigem decisão antes do uso, não depois do vazamento.
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