Instagram testa vídeo de 90 minutos — e não diz como vai pagar por ele
Teste divulgado em 30 de outubro libera vídeos horizontais longos no Instagram. Falta o principal para quem vive disso: regra de divisão de receita, e confirmação se o recurso chega ao Brasil.
Por Redação Panonda

Foto: Mayara Caroline Mombelli · Pexels
O que aconteceu
Em 30 de outubro de 2026, veio a público que o Instagram testa um recurso que permite publicar vídeos horizontais de até 90 minutos, segundo informações reproduzidas pelo Tubefilter.
Na prática, é a duração de um filme. Aula completa, entrevista inteira, podcast em vídeo sem corte, documentário. Tudo o que hoje só cabe no YouTube passaria a caber também no feed do Instagram.
Falta a parte que paga a conta. Até agora não há confirmação de divisão de receita publicitária para esse formato. Não foi anunciado se haverá anúncio no meio do vídeo, se o criador entra automaticamente em algum programa de monetização, nem qual será o percentual.
O que isso significa
Um vídeo de 90 minutos custa muito mais caro do que um Reels. Roteiro, captação, edição, legenda, miniatura, revisão. É outro tipo de produção.
No YouTube, esse custo tem contrapartida conhecida: existe um programa de parceria, existe anúncio, existe uma régua pública de quanto se precisa para entrar. No teste do Instagram, essa contrapartida ainda é uma folha em branco.
Então a conta muda de natureza. Quem publicar vídeo longo no Instagram agora está comprando audiência, não vendendo conteúdo. Pode valer — se o objetivo for vender curso, assinatura, comunidade, evento ou fechar publi direta. Não vale se a expectativa for receber da plataforma pelo tempo assistido, porque essa regra não existe.
O que a notícia não é
Não é "o Instagram virou YouTube". Duração igual não é economia igual. O que torna o YouTube o lugar do vídeo longo não é o limite de minutagem — é a busca, a recomendação de vídeo longo e o cheque no fim do mês.
Não é uma mudança já disponível para você. Não foi possível confirmar se o recurso está liberado para contas brasileiras, quantos criadores participam do teste nem quais países foram incluídos.
Não é limite definitivo. Teste é teste. Os 90 minutos podem encolher, crescer ou sumir antes de virar recurso geral.
E não é garantia de alcance. Não há confirmação de que vídeo longo recebe a mesma recomendação que os Reels. Esse é o risco silencioso: você entrega 90 minutos e o algoritmo continua empurrando quem entrega 20 segundos.
Quem sente primeiro
- Podcaster que hoje corta o episódio em dez pedaços só para caber na rede.
- Quem dá aula e vive repetindo "link na bio para a versão completa".
- Criador que já mantém o YouTube como fonte principal de receita e usa o Instagram como vitrine.
- Quem vende produto próprio e precisa de tempo de tela para convencer.
Para esses últimos, o formato longo é útil mesmo sem monetização da plataforma. O vídeo não precisa pagar sozinho: ele vende outra coisa.
O que fazer nesta semana
- Mantenha a versão principal onde já existe pagamento. YouTube, ou onde quer que sua receita por visualização seja previsível. O Instagram, por enquanto, é teste de audiência.
- Não despeje o arquivo do YouTube no Instagram. O público entra pelo feed, sem intenção de sentar e assistir. Refaça os primeiros 60 segundos: contexto, promessa e motivo para ficar.
- Escolha um conteúdo que já funcionou e use como cobaia. Um só. Meça retenção dos primeiros minutos, ponto de abandono e comentários antes de planejar uma série.
- Coloque uma oferta própria dentro do vídeo. Curso, lista, comunidade, consultoria. Se a plataforma não paga, o vídeo precisa ter outra saída de caixa.
- Continue cortando para Reels. O corte vertical ainda é o que distribui. O vídeo longo serve a quem já chegou.
- Guarde a pergunta certa para quando o anúncio oficial sair: qual é a divisão de receita, tem anúncio no meio e o vídeo longo entra na recomendação? Sem essas três respostas, não reorganize sua grade de produção.
Fontes
Tudo que está escrito acima foi conferido nestes endereços. Abra e confira — é para isso que eles estão aqui.
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