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Quase um conteúdo eleitoral com IA por hora — e metade saiu de perfil comum

Levantamento do VigIA, da Agência Lupa, achou 920 publicações com IA entre 16 de agosto e 28 de setembro. Perfis de candidatos foram minoria: quem mais postou foi eleitor, militante e conta anônima.

Por Redação Panonda

Quase um conteúdo eleitoral com IA por hora — e metade saiu de perfil comum

Foto: Domingos Henriques · Pexels

Resposta rápida, porque é a pergunta que vai ser digitada nesta semana: o risco de postar vídeo político feito com IA não é só do candidato — é de quem aperta o botão publicar. E os dados do primeiro turno mostram que quem aperta o botão, na maioria das vezes, é gente comum.

O que aconteceu

O VigIA, projeto do Observatório da Agência Lupa que monitora uso de inteligência artificial nas eleições, divulgou em 1º de outubro o balanço do primeiro turno. Entre 16 de agosto e 28 de setembro, foram analisados 972 conteúdos suspeitos. Desses, 920 usavam IA — média de 20 por dia, quase um por hora.

Seis em cada dez conteúdos confirmados circularam sem qualquer sinalização de que foram gerados ou alterados por IA.

O recorte que interessa a quem publica: 434 conteúdos (47,2%) saíram de contas de usuários, eleitores ou militantes. Outros 251 (27,3%) vieram de contas anônimas ou com avatares. Perfis oficiais de candidatos responderam por 226 casos (24,6%).

Traduzindo: três quartos da produção com IA na campanha não saiu de comitê. Saiu de perfil pessoal.

A armadilha da sátira

Esse é o ponto que mais vai derrubar criador no segundo turno. Segundo o levantamento, 45% das peças com IA buscavam promover candidaturas, 27,6% tinham teor satírico e 24,6% eram ataques.

Muita gente parte do princípio de que humor é terreno livre. Não é como a régua do TSE funciona. O tribunal fixou tese sobre deepfake em setembro: o que importa é se o conteúdo se caracteriza como propaganda política e se tem verossimilhança capaz de enganar o eleitor. A intenção cômica não é a chave que abre a porta.

Para quem tem mandato ou candidatura, a sanção chega a cassação. Para quem não tem — o seu caso — sobra remoção de conteúdo, responsabilização cível e exposição criminal.

Onde isso circulou

Serve de mapa de risco de moderação: Facebook (559) e Instagram (365) concentraram a maior parte, seguidos de X (96), TikTok (70) e WhatsApp (3). Como uma mesma peça pode circular em mais de uma rede, os números não somam o total.

Entre os formatos mais recorrentes estão vídeos em que jornalistas anunciam notícias inventadas e celebridades declaram apoio falso a candidatos.

O que esse número NÃO é

Não é o retrato completo. Áudios ficaram de fora por limitação da metodologia. Ou seja: voz clonada, que é o formato mais fácil de produzir e mais difícil de detectar, não entrou na conta. O volume real é maior que 920.

Também não é um placar oficial de punições. Quantas remoções o TSE determinou por conteúdo com IA no primeiro turno é um número que não existe público. Desconfie de quem publicar estimativa.

E há uma divergência entre coberturas: uma reportagem fala em 29 deepfakes disseminados por perfis de candidatos ou partidos, outra nos 226 casos (24,6%) de perfis oficiais. A leitura provável é que 29 se refere só a deepfakes e 226 a todo conteúdo com IA. Até a Lupa confirmar, trate os dois como recortes diferentes.

O conflito que vem depois da urna

A direção do projeto apontou que a Justiça precisaria trabalhar junto com as plataformas para identificar autores anônimos, já que a maior fatia do conteúdo veio de contas de usuários e avatares. Tradução para quem vive de publicar: a pressão por identificar quem posta tende a crescer depois do pleito, e ela não vai parar na política.

O que fazer até o segundo turno

  1. Rotule de forma explícita, no vídeo e na descrição, toda peça gerada ou alterada por IA. Não basta hashtag no fim da legenda.
  2. Não use rosto nem voz de pessoa real em situação que não aconteceu — nem em tom de piada, nem com rótulo.
  3. Não simule jornalista, emissora, telejornal ou resultado de pesquisa eleitoral. É o formato mais recorrente nos casos mapeados.
  4. Entenda a diferença: rótulo regulariza uso permitido, não blinda deepfake.
  5. Se o conteúdo é satírico, pergunte se alguém rolando rápido o feed acreditaria. Se sim, não publique.
  6. Guarde prints e arquivos de projeto do que você publicou sobre eleição. Se cair notificação, a prova de autoria e de intenção é sua.
  7. Reveja seu arquivo do primeiro turno. Conteúdo antigo continua online e continua alcançável.

Fontes

Tudo que está escrito acima foi conferido nestes endereços. Abra e confira — é para isso que eles estão aqui.

  1. 1agencialupa.org
  2. 2dgabc.com.br
  3. 3agenciabrasil.ebc.com.br
  4. 4tse.jus.br

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